Riacho de Santana, a terra dos poetas!!
A poesia popular, verdadeiro pano de fundo da cantoria, tem suas raízes na França. Segundo os pesquisadores, a poesia popular começou a florescer naquele país, com maior realce, por volta do século XI. Adentrou no Brasil, no meado do século XVII, através da fusão da poesia local portuguesa com a trova dos poetas franceses, alojando-se de forma mais acentuada no Nordeste, principalmente nos estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Foi aí que coube ao Brasil o privilégio do aparecimento do legítimo cantador de viola.
A primeira cantoria, realizada com dois cantadores, que teve registro na história da arte popular, aconteceu em 1870, na vila de Patos, no estado da Paraíba, com os repentistas Inácio da Catingueira e Romano do Teixeira, no local denominado Casa do Mercado. Essa cantoria foi toda em desafio e durou uma semana inteira. Os cantadores repousavam durante o dia, arrumando ideias, sem contato entre si, para à noite se debaterem. No final da semana, numa avaliação pelo povo que compareceu à disputa, não houve vencedor, apenas o cantador Romano do Teixeira se deu por rendido em função do cansaço.
A partir daí, apesar das dificuldades de acesso e de comunicação, começou a cantoria a dois, cuja finalidade era o embate para um cantador vencer o outro. Por isto, o violeiro, a convite de admiradores, enfrentava viagens longas, preparando ideias, para descarregar no companheiro, com o fim de vencê-lo na arte.
A cantoria de hoje , com a modernização dos tempos, com o rádio, com a facilidade do transporte, o fácil acesso à escola por parte dos cantadores, a cantoria ganhou nova roupagem e, por consequência, novo conceito.
Riacho de Santana, no Rio Grande do Norte, é conhecida por ser a terra da poesia, não se compara a Teixeira na Paraíba e São José do Egito-PE, mas, tem vários cantadores de repente, declamadores e muitos promoventes de cantoria.
Cirilo Alves Pereira, ex-prefeito interino de Riacho de Santana, foi promovente de grandes cantorias. O Poeta José Bento de Sousa relata ter participado de uma grande cantoria no sítio Lagoa de Pedras em 1968 na residência de Cirilo Pedro, com os poetas: Louro Branco e Juvenal Evangelista. José Bento relata que foi o maior público de cantoria realizado na área rural que já participou, com um público estimado em mais de 300 pessoas.
Outros promoventes de cantoria na década de 70 foram o comerciante Valdemar Fernandes e seu pai Antônio Albino. Antônio Albino que também era comerciante e promovia no sítio Poço de Pedras e Valdemar que também era vereador, promovia em sua residência na Rua Bernardino Ferreira. Sua residência foi palco de grandes cantorias, poetas como Justa Amorim, Pedro Bandeira, Geraldo Amâncio, Juvenal Evangelista, Louro Branco e tantos outros grandes cantadores se apresentaram em sua residência.
Dona Maria, sua esposa, relatava que nessa época os cantadores chegavam para a cantoria, até dois dias antes da cantoria, e ela até roupa dos cantadores chegava a lavar, além da luta dos preparativos, pois aquela época, a cantoria era o maior evento que se realizava, matava-se porco, muitas galinhas, vinham parentes e amigos para a cantoria e já participavam também da janta.
Seu filho Chico, relatava que dois dias antes do evento, já começava a pegar cadeiras e bancos de madeira na vizinhança, para a colher todos os convidados, segundo ele, vinham pessoas de fora com barracas para vender pão doce com refresco, segundo ele, era uma semana antes da cantoria, e uma depois de muito trabalho.
Além desses promoventes mais antigos, outros também atuais, merecem destaque como promoventes de cantoria.
Riacho de Santana sempre se destacou como uma cidade promovente de cantoria, mas com a chegada do poeta e também promovente de cantoria, Cicero Galdino, que veio de Coronel João Pessoa e casou-se com Firmina Maria da Conceição, filha de Rafael Faustino e Joana Gabriel, que moravam no sítio Sobradinho, Cicero Galdino começou a trazer mais poetas para a região, como o poeta Zé Cardoso, que iniciou suas primeiras cantorias com o poeta Cicero Galdino.
Depois na década de 80 o poeta José Bento, que é sobrinho e genro do poeta Cicero Galdino, também começou a fazer cantorias na região de Riacho de Santana, com o poeta Cicero Galdino, e com outros poetas, já a convite do promovente Cicero Galdino, José Bento cantou com vários poetas na residência de Cicero Galdino, com o poeta Ismael Pereira, Sebastião Bento e tantos outros.
No final da década de 80 o poeta Neuton Galdino, que é filho do poeta Cicero Galdino, e que fez sua carreira de poeta inicial em São Paulo e Rio de Janeiro, volta ao Nordeste, e passa a exercer sua carreira de poeta na região, inicialmente com o poeta José Bento, inclusive com um programa de viola na rádio Cultura e posterior com outros poetas da região.
Neuton Galdino também, assim como seu pai, promoveu cantorias na residência de seu pai, com poetas bem conhecidos no meio da cantoria, como o poeta Paulo do Iguatu.
Podemos citar outros promoventes de cantoria em Riacho de Santana, João Severo no Tabuleiro de Padre, Antônio de Rita, promoveu várias cantorias na sua residência, na sede do município, o vereador Sulino, promoveu vários festivais, com cantadores de nomes renomados, no mercado público, Antônia Barbosa, foi também um grande promovente, inclusive das várias cantorias que fez, sempre era com o poeta José Bento e um cantador de outra região.
Raimundo de Alcides e sua esposa Dona Lucia, são um dos maiores promoventes de cantoria de Riacho de Santana, reside no sítio Quintas, sua residência é bem distante da sede do município, e das outras comunidades, mas tem sido nos últimos anos, o promovente que mais tem levado publico para suas cantorias, com um diferencial, ele valoriza muito o poeta da terra, pois não tem um poeta de Riacho de Santana que não tenha sido convidado para cantar em sua residência, e o fato de ser um poeta da terra, já conhecido por todos os publico não diminuem, nem os valores da renda da cantoria, se consagrando sempre os maiores valores já visto em cantoria que o pagamento é feito na bandeja.
Entre os promoventes mais novos, se destaca Davi Elias, pois em quatro e quatro anos, promove uma grande cantoria, sempre com cantadores de nomes nacionais, Pedro Elias e baba tem iniciado também como promoventes de grandes cantorias, Vaneudo Elias também promoveu cantorias, outro que se destaca, é Hildermes Cardoso, esse em sua maioria promove sempre com os poetas da cidade, sempre presa pela valorização dos artista da terra.
Riacho de Santana tem os poetas genuinamente santanenses, como o poeta Chico Marcelino, residente no sitio tabuleiro, seu pai era promovente, e ele além de cantar, também promoveu varias cantorias com poetas locais e também de nomes nacionais.
Poeta José de Eliseu, residente no sitio gameleira, é um poeta que não exerceu a profissão, mas sempre cantou na região e também promoveu cantorias para os poetas da região, e também é pai do poeta gentil pereira, que também é poeta promovente.
O poeta Euclides Ferreira, também é um poeta santanense, mora no sitio tabuleiro do padre, e é primo do poeta Chico de Marcelino e há muito tempo exerce a profissão apenas em Riacho de Santana e nas cidades vizinhas, não vive exclusivo da cantoria e sim, da agricultura, tem a cantoria como uma forma de complementar a renda.
Poeta viani, é residente do sitio poço de pedras, é também um poeta que não vive exclusivo da cantoria, mas sempre promove cantoria e canta também na região.
Poeta Chico Ferreira, conhecido inicialmente como Chico coruja, veio da região de Antônio Martins, e se instalou no sitio caieiras, é também promovente de cantoria, já promoveu varias cantorias na sua residência, e em pontos de amigos, mas nunca viveu exclusivamente da cantoria, sempre teve como atividade exclusiva a agricultura, historia que se confunde com a maioria dos poetas cantadores do Brasil, em sua maioria saíram da agricultura para a cantoria.
O poeta Galdino Medeiros, que é sobrinho do poeta Cicero Galdino, desde muito cedo se descobriu como poeta, mas não seguiu na profissão, cantava em algumas cantorias em sua residência, pois seu pai Raimundo Medeiros, também promovia cantoria, só com a chegada da rádio, e criação do programa violas ao por do sol, foi que Galdino começou a cantar na região, e depois fez carreira na capital, Natal, cantando nas praias, que é um local que alguns cantadores, escolhem para se apresentar, mostrando a cultura do repente para os turistas, os cantadores fazem versos de elogios aos turistas, e eles pagam ao cantador.
O Poeta Zé de Julia, residente no sítio caiçara, também foi um poeta promovente, nunca fez uso exclusive da arte, mas sempre era convidado para se a presentar nos festivas realizado na cidade. - O poeta José Bento é natural da cidade de Luís Gomes, cidade vizinha a Riacho de Santana, também como os demais iniciou sua vida trabalhando na agricultura, juntamente com o seu irmão e também poeta Sebastião Bento, fez sua primeira viagem como poeta em 1973, com o poeta Raimundo Ferreira, e desde então nunca mais deixou a arte da cantoria, sua carreira de poeta foi firmada entre os estado da Paraíba e Rio Grande do Norte, mas a região que mais se apresentou, foi na região de Cajazeiras e Sousa, na Paraíba e a região de Pau dos Ferros, cidade onde apresentou um programa de viola por muitos anos na rádio Cultura do Oeste, que projetou o seu nome também para algumas cidades do Ceará. Em 1986, mudou-se de Luís Gomes para Riacho de Santana, cidade onde já visitava com frequência pra cantar a convite do poeta Chico Marcelino e o poeta Cicero Galdino. - Em 1998 com a chegada da rádio Caripina FM, foi criado o programa violas ao por do sol, com os poetas José Bento, Neuton Galdino e Chico Marcelino, foi então, que a cantoria de viola foi cada vez mais promovida na cidade, o programa é exibido até hoje das 17 horas, às 18 horas, sempre muito ouvido na cidade e na região, dando assim um impulso para a divulgação dos poetas da cidade, onde todos se apresentavam, e para a promoção de mais cantorias na região. - Depois o programa ficou sendo apresentado apenas pelo poeta José Bento e o poeta Chico Marcelino, por mais de 20 anos, até o afastamento do poeta Chico de Marcelino para tratamento de um problema de saúde na garganta, com a saída de Chico, o poeta Viani assumiu o programa com o poeta José Bento, que vai ao ar ainda todos os dias, sem que os poetas falte se quer um dia, inclusive o programa foi motivo de uma documentário –curta, realizado pela a estudante de Cinema Vanessa Fernandes.- - Em 2011 a rádio Interativa FM, a antiga Caripina, abriu espaço em sua grade de programação espaço de programa, para todos os poetas, com programa as 11 hora, as 17 horas e aos finais de semana, deixando assim, todos os poetas com programa na rádio.- O mais jovem poeta de Riacho de Santana é o poeta, Aécio Bento, filho do poeta José Bento e neto do poeta Cicero Galdino, a primeira vez que Aécio Bento se apresentou, como poeta improvisador, foi em um festival de repentista realizado no clube da juventude no sítio poço de pedras, com seu pai o poeta José Bento, já sendo uma grande admiração, porque até então, não era conhecido como poeta, e sim como músico, Aécio apesar de já ter iniciado sua carreira como um grande poeta, não fez uso da profissão com exclusividade, mas mesmo assim, se tornou respeitado por parte dos grandes poetas, como um grande poeta.
Com esse impulso da cantoria em Riacho de Santana, em 2005, com a gestão do prefeito Raimundo Nonato dos Santos, foi incluído no calendário do município de Riacho de Santana, todo ano na emancipação política, que acontece em 10 de maio, uma cantoria com os grandes poetas do cenário da cantoria, evento esse que vem sendo realizado até os dias atuais, sendo, na gestão atual do prefeito Cassio Fernandes, incluído também a participação dos poetas da terra.
Em 2005, foi criada a Associação Cultural Santanense, que tem sido uma instituição que tem dado uma contribuição importantíssima para a cultura do município, além da concessão da rádio Interativa FM, vem realizando o festival de repentista da terra, troféu Cicero Galdino, que já realizou seis festivais de repentistas, em parceria com o BNB, fundação José Augusto; e através da lei Aldir Blanc.
Laecio Bento, Riacho de Santana: A Terra dos Poetas. 02/2026